CALÇADA DA VIDA
Que
situação engraçada
Você
estar na calçada
De
uma rua qualquer,
De
um lugar qualquer
Vendo
o povo passar.
Que
situação esquisita
Estar
de fora a olhar
Passar
esta gente aflita
Na
calçada da cidade
Em
busca de felicidade.
Que
coisa estranha
Ver
o jogo da vida:
Um
perde, outro ganha;
Quem
ganha tem sorte,
Pra
quem perde é a morte.
Que
coisa sem sentido
Ficar
na calçada olhando
O
passar do povo ferido
Te
vendo e implorando
Um
lugar ao sol.
Que
coisa deprimente
Esta
atual situação:
Ver
toda essa gente
Nesse
buraco profundo,
Nesse
poço de podridão.
Que
devemos fazer
Quando
olhamos para o céu?
Que
faremos na hora
De
dar um tiro na cabeça?
Que
todos fiquem pinéu!
Que
coisa comum ver o
Povo
passar e não sentir
Quanto
o seu olhar distante
Pode
essa gente ferir
Mais
que armamento algum!
Que
faremos desta vida,
Desta
privada entupida
Cheia
de excremento,
Podre
e nojenta
Que
a todos afugenta?
Que
vontade de fazer algo
Algo
realmente útil,
Como
faz o operário
Em
busca do salário,
Salário
mais injusto!!
Que
coisa mais interessante
Estar
na calçada a olhar
Um
homem que passa
E
se vê passar
Pra
trás por outros homens.
Que
coisa comum
Você
morrer na calçada
De
uma rua qualquer,
De
um lugar qualquer,
Sem
ter feito nada!
1983
/ 1984 / 1985
Esta é uma das poucas poesias que não foram escritas de uma única tacada. Na maioria das vezes, escrevo a poesia de uma única vez, direto, sem pausa, apenas corrigindo algumas coisas depois, mas a idéia básica é escrita toda de uma vez.
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