sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

POESIA - CALÇADA DA VIDA



CALÇADA DA VIDA
  
Que situação engraçada
Você estar na calçada
De uma rua qualquer,
De um lugar qualquer
Vendo o povo passar.

Que situação esquisita
Estar de fora a olhar
Passar esta gente aflita
Na calçada da cidade
Em busca de felicidade.

Que coisa estranha
Ver o jogo da vida:
Um perde, outro ganha;
Quem ganha tem sorte,
Pra quem perde é a morte.

Que coisa sem sentido
Ficar na calçada olhando
O passar do povo ferido
Te vendo e implorando
Um lugar ao sol.

Que coisa deprimente
Esta atual situação:
Ver toda essa gente
Nesse buraco profundo,
Nesse poço de podridão.

Que devemos fazer
Quando olhamos para o céu?
Que faremos na hora
De dar um tiro na cabeça?
Que todos fiquem pinéu!




Que coisa comum ver o
Povo passar e não sentir
Quanto o seu olhar distante
Pode essa gente ferir
Mais que armamento algum!

Que faremos desta vida,
Desta privada entupida
Cheia de excremento,
Podre e nojenta
Que a todos afugenta?

Que vontade de fazer algo
Algo realmente útil,
Como faz o operário
Em busca do salário,
Salário mais injusto!!

Que coisa mais interessante
Estar na calçada a olhar
Um homem que passa
E se vê passar
Pra trás por outros homens.

Que coisa comum
Você morrer na calçada
De uma rua qualquer,
De um lugar qualquer,
Sem ter feito nada!



1983 / 1984 / 1985

Esta é uma das poucas poesias que não foram escritas de uma única tacada. Na maioria das vezes, escrevo a poesia de uma única vez, direto, sem pausa, apenas corrigindo algumas coisas depois, mas a idéia básica é escrita toda de uma vez.


                                                                                 

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